quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O fenómeno da Proxémia

            Existem fenómenos de espaço pessoal. o que é comum para nós, pode não o ser para outros. Por exemplo, olhar fixamente nos olhos de um japonês durante uma conversa pode tornar-se ofensivo... estar a conversar a menos de um metro de uma pessoa árabe torna-se invasão de espaço...

            O termo proxêmica ou proxémia foi estudado pelo antropólogo Edward T. Hall por volta de 1963 para descrever o espaço pessoal onde os indivíduos actuam no meio social. Assim sendo definem o espaço pessoal como o "conjunto das observações e teorias referentes ao uso que o homem faz do espaço enquanto produto cultural específico".
            São descritas as distâncias mensuráveis entre as pessoas, conforme elas interagem bem como posturas que são ou não intencionais, e são resultado do processo de "aculturação".

            É um exemplo de proxémia, quando um indivíduo encontra um banco de na rua ocupado por outra pessoa numa das extremidades, este tem a tendência imediata, na maioria dos casos, a sentar-se na extremidade oposta, preservando um espaço pessoal entre os dois. a este atitude, chama-se, distancia intima, pessoal, social e publica.
            São culturas, hábitos criados aos quais não se pode opor ou mudar mas respeitar...

José Costa
17-11-2010
       A obra dos maiores artistas do Renascimento, como Miguel Ângelo, Rafael e Botticelli - A Capela Sistina - uma das mais famosas pela sua  notável arquitectura e decoração, dos seus frescos, é nos tempos correntes, objecto de notícia, pelo facto do Conselho Nacional de Investigação de Itália ter proposto elaborar uma cópia fiel, mas virtual da capela, de modo a reduzir a elevada afluência de visitantes. Uns países incitam á visita de modo a fomentar o turismo e a respectiva economia, outros, encontram soluções, para que não invadam o que é património mundial, e que qualquer um possa visitar.

            Não seria de estranhar, mas o realizador dos Museus Vaticanos evidenciou preocupação pela conservação dos frescos, devido não só ao excessivo número de visitantes (uma vez que o flash das máquinas fotográficas danifica quadros e pinturas), como também a falta de instalações adequadas para eliminar a contaminação ambiental. os responsáveis, insistem em vencer este desafio, para preservação do espaço a gerações futuras.
            A ideia consiste então em lançar um projecto de museu virtual que permite ao público viver  na sua visita os conteúdos da obra, aproximando-se dela com outra perspectiva (não real) e captando elementos que, de outra forma e na opinião dos responsáveis, passariam desapercebidos ao público (ao qual estou totalmente em desacordo). O projecto baseia-se no êxito da sala multimédia que foi instalada às portas do Museu Cívico de Pádua no ano de 2003, com uma reprodução em 3D dos frescos que o conhecido artista Giotto fez para a Capela. O objectivo é regular o fluxo de visitantes e turistas, não fechando ao público.

            As paredes da Capela Sistina são admiradas todos os anos por cerca de 4 milhões de pessoas, rondando os 25.000 visitantes diários nos feriados. em termo de comparação, o museu do Louvre também tem um museu virtual, mas em termos de visitantes triplica estes números e não trava nem leva a cabo politicas de estagnar o numero de visitantes de modo a preservar o espaço e as obras, preferem preservar de um outro modo, e fomentam a arte ao nível virtual e realista mas... isso são outras histórias...

PS - Fundo branco...em vez de fumo...

José Costa
17-11-2010

Um...de muitos poderes do papel

As experiencias com o papel continuam. Depois de ter sido experimentado na construção, na sua mistura com cimento ou mesmo no isolamento acústico de uma habitação, surge agora a experiencia levada a cabo por, britânicos aficionados da aeronáutica espacial. Eles lançaram para o ar um pequeno avião de papel pequeno, com menos de um metro, o qual foi tripulado por um astronauta da Playmobil. este pequeno avião, chegou mesmo ao limite da atmosfera com o espaço.



            O local do lançamento experimental foi uma povoação de Ávila, uma província espanhola, tendo a nave do piloto Playmobil, aterrado posteriormente numa localidade de Madrid. a pequena nave foi baptizada com o nome de Vulture1, dispunha de duas câmaras de vídeo, um pára-quedas e o balão de hélio a que ia preso. por fim, e como nada é feito ao acaso ou de garça, para investimentos futuros, os autores desta experiencia  investiram mais de 9 mil euros neste teste que futuramente se irá repetir.




quarta-feira, 10 de novembro de 2010

" Clock Cities "

A cidade não é um ecossistema autónomo. Ela não produz, nem energia nem a matéria de que necessita. Pelo contrário. Nenhuma cidade poderá ser « durável », mas todas podem contribuir á durabilidade.
A cidade ocupa no imaginário colectivo um espaço essencial e contraditório : foyer da modernidade. Ela tanto é lugar de partes distintas, que estão sempre a mudar, como passa a ser dotada de margens inquietantes e semelhantes.
Estas mudanças, às vezes bruscas, afectam tanto o espaço urbano bem como os numerosos grupos sociais que nela habitam, que se tentam moldar ao seu ritmo.

Rio Sena, Paris

MVRDV, projecto na Margem do Rio Sena, Paris

Durante muito tempo, a percepção da cidade aumentou com uma certa evidência: um espaço densamente construído e fortemente povoado; sempre em mutação, funções específicas, funções de comando (poder político e poder económico), de produção industrial, de trocas comerciais e intelectuais; uma Sociologia diversificada; ritmos e modos de vida específicos.
Para todos os tempos, fica uma diferença entre paisagens.
Num caso, artificiais e compostas principalmente de construções, noutro caso, naturais ou agrícolas. Paisagens com matérias, o betão e o betume opostos à terra e á vegetação dominante, compondo cores (o cinzento e o verde).
Cada tipo de espaço determina-se e justifica-se em oposição ao outro.
A cidade, hoje e sempre, continua a mudar, de um dia para o outro pode dar uma volta de 360º, passa a ser multifacetada.
No entanto, e num tempo de repensar o que se gasta ou se constrói, chega-se a alguma evidência. A obra deve continuar a ser aberta, nunca em fase terminada. Deve deixar um vazio de modo que o utilizador tenha o seu lugar para entrar e servir-se, enriquecer o espaço sem nunca estar a preenchê-lo totalmente, e transformá-lo no tempo, adequando o espaço. Hoje os lugares são personalizados, mas adquirem um tom fechado, ou seja terminado. Hoje não se pode fazer obras de “projectista”, com projectos que se assemelham uns entre outros e se fecham, tornam-se rígidos, amargos, de modo que ninguém o possa transformar.
Assim sendo não teremos outra escolha a não ser acompanharmos o evoluir de ideias e de vontades do tempo, de algum modo, manias ou taras de alguns, pensamentos e estudos de outros, dando sentido às “Clock Cities”…
Concurso Cidade Auto-Sustentável, MVRDV, Seoul, Coréia do Sul


José Costa
10-11-2010



domingo, 31 de outubro de 2010

"A Metamorfose”

         Já não é nenhum segredo que a actual situação mundial é de profunda crise e de completa incerteza em todos os campos da vida, até mesmo da sociedade. Predominam o terrorismo, as drogas, a desintegração familiar e a decadência da educação.
Por um lado, as pessoas de todo o mundo identificam-se cada vez mais com a raiz da globalização mas, por outro lado, os indivíduos não conseguem ficar ligados nem sequer com suas próprias famílias nem eles mesmos devido egoísmo cada vez mais crescente.
Esta dicotomia leva-nos ao estado lamentável no qual nos encontramos actualmente, que parece ser um beco sem saída, uma crise económica mas na minha opinião e pior ainda, uma crise de mentalidades, de crença...uma crise social e ideológica.
No nosso mundo, onde estamos separados, temos a nossa própria linguagem: o egoísmo. Por causa dele é difícil entendermo-nos mutuamente. Essa situação remete-nos para a indiscutível e pertinente Torre de Babel. Essa época, onde o orgulho e o desejo de satisfação era desmedida, alcançando tal magnitude e tal impacto, onde as pessoas quiseram construir uma Torre, uma elevação que chegasse ao céu, que o rompa e o invada, para demonstrar o poder de uma sociedade sobre o mundo e inclusive sobre a Natureza e os seus valores, onde houvesse a vitoria do sedento operador do superficial...
Quem sofre com esta mutação?
A cidade… a sua imagem… a sua credibilidade e a sua vivencia…o seu Urbanismo…a sua Arquitectura…tudo aquilo que queremos moldar ao nosso gosto deixa de fazer sentido em todo este meio sem identidade...Quando falo em urbanismo ou arquitectura remeto-me para nós, o mobiliário de uma cidade, o que a faz funcionar a bem ou a mal...correctamente ou á toa...é mais isso, andamos á toa, sem rumo e sem saber para onde o "homem do leme" nos leva...



José Costa
31-10-2010

Babel

Como primeiro artigo deste recente meio de expressão decidi falar um pouco sobre a universalidade da língua…a universalidade da comunicação…
Nada melhor que Babel...a sua Torre...a sua Cidade...Babilónia...
Esta Torre - Cidade, bem como a sua dicotomia, Babel e Babilónia, a cidade vertical e a cidade horizontal…a ansiedade de alcançar a glória, a ansiedade de criar um só povo…uma só língua…



Sem dúvida alguma que o mito Babel é conhecido por grande parte das pessoas, mais ainda pelos seguidores da religião cristã, onde na leitura do capítulo 11 do Livro do Gênesis pode-se constatar que “antes de Babel todos os homens da Terra tinham uma única língua, usavam as mesmas palavras”.
Propuseram-se a construir uma cidade e uma torre cujo topo rasgue o céu, que uni-se todo o povo da terra para não dispersar a humanidade sobre toda a terra.
 “Agora poderão coroar a idolatria”.
Assim acontece que Deus dispersa os homens por toda a terra, e criou uma infinidade de línguas, e o povo não foi mais um só.
Na torre de Babel estão contidas três problemáticas diversas. A primeira é aquela da origem das línguas: Como surgiu uma gama tão grande de línguas?
Em segundo lugar, encara um outro problema: por que existem tantos tipos de povos sobre toda a terra?
Num terceiro ponto, coloca o problema da hybris (que significa o desafio o crime do exagero e de provocação): é quando o povo é ainda um único povo que concebe a ideia de chegar até o céu ou, que tem a intenção de atacar o céu, de ajustar uma guerra com Deus.
Qual foi a punição que Deus infligiu aos homens por tal ousadia?
A cada povo foi atribuída uma língua particular, e enquanto antes toda a terra tinha um único modo de se exprimir, agora os homens foram dispersos e ocuparam o vasto planeta. Portanto a dispersão por todo o planeta e a grande variedade dos lugares geográficos estão ligadas à multiplicidade das línguas, e constituem uma resposta à hybris.
Por essa razão ainda hoje nos defrontamos com problemas, com realidades inesperadas e por vezes brutais, por não sermos compreendidos ou por não nos deixarem expressar. É complicado estarmos todos do mesmo lado, logo hoje como o mundo anda e gira, ainda mais complicado é, haver união...haver a mesma linguagem...

José Costa
31-10-2010

sábado, 30 de outubro de 2010

o Inicio

Olá...
                Antes de mais, fico sem saber  se é normal, não saber o que escrever no primeiro artigo de um blog. Aliás este é só mais um de entre os imensos que existem nesta  coisa vulgar que é a internet.
                Para além de ser mais um, é muito provável que este nem lido seja muito menos que interesse possa ter, mas não custa tentar, nem deve custar nada uma pessoa se tentar expressar. É por isso que decidi criar um, para partilhar algo que seja interessante ou até mesmo, que nem uma lógica possa ter. Poderei publicar algo que me interesse mas que não diga nada a quem o lê. Revoltas ou alegrias, não sei...a ver vamos como corre. Talvez nos tempos que correm até a crise de ideias ou de leitura pode vir á superfície...sinceramente não faço ideia...
                O meu nome é José Costa, sou arquitecto e nasci em Braga... vou postando neste espaço, bem ou mal, logicamente ou sem nexo...alguma coisa me vai surgir...sobre coisas...sobre PEQUENAS GRANDES COISAS ...
espero que vos agrade....ou não...mas que opinem também


José Costa
30-10-2010